NA MÍDIA

Sabor Sem Limite na Revista Gente da CAIXA

27 de fevereiro de 2015

O Sabor Sem Limite foi assunto na edição 60 da Revista Gente da CAIXA, destinada aos empregados da Caixa Econômica Federal.

A matéria aborda os desafios das famílias que possuem crianças com restrição alimentar.

 

Confira abaixo:

 

Fotos: Thomaz Vita Neto – Pulsar Imagens
Fonte: Revista Gente da CAIXA

 

ALIMENTAÇÃO CONTROLADA

Relatos de empregadas que enfrentam as alergias alimentares de seus filhos e a dificuldade no diagnóstico

Numa das primeiras mamadas de Laura, filha de Carla Bento, o leite materno entrou pela boca e saiu imediatamente pelo nariz do bebê. Em quatro dias de vida, ela passou pelo pronto-socorro quatro vezes e foi diagnosticada com refluxo. Laura chorava por horas seguidas e dormia pouco. Os meses foram passando e surgiram irritações na pele, consideradas comuns pelos médicos. “Ela não colocava o pezinho na boca, não engatinhava, não sentava. Ficava doente sempre e tinha febres sem motivo. Era irritadiça e não tinha apetite”, conta Carla. Quando Laura tinha um ano e três meses, o diagnóstico correto foi dado: ela tinha alergia à proteína do leite de vaca, conhecida como APLV. O ingrediente, consumido por Carla, estava presente na composição do leite materno produzido pelo organismo. “Quando se trata de alergia, nem sempre podemos contar com exames laboratoriais fidedignos para o diagnóstico, e a avaliação de um médico experiente no assunto é fundamental”, explica Renata Cocco, pediatra e alergista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo (SP).

Hoje, Carla, que trabalha em Joinville (SC), pode optar pela soja como alternativa para a filha, que está com três anos e meio. Porém, a soja também tem potencial alergênico, assim como ovo, trigo, castanhas, amendoim, peixes e frutos do mar. Esses alimentos, junto do leite, são responsáveis por até 90% das alergias alimentares. Como era necessário se informar bastante sobre o assunto, ela recorreu à internet e passou a seguir grupos como o Põe no Rótulo (poenorotulo.com.br), movimento de familiares de crianças alérgicas ou intolerantes que luta por informações detalhadas nos rótulos dos alimentos. É comum que uma pessoa tenha reações alérgicas a mais de um alimento – e foi o que aconteceu com a segunda filha de Bárbara Sousa de Oliveira, que trabalha em São José do Rio Preto (SP). A filha mais velha de Bárbara, Júlia, tem hoje cinco anos e também foi diagnosticada com APLV. Por medo de a situação se repetir, quando nasceu sua segunda filha, Luísa, hoje com três anos, Bárbara mantinha uma dieta sem leite e derivados. Quando Luísa completou dois meses, a mãe criou coragem e comeu um biscoito à base do ingrediente – e a menina parou de respirar. A filha mais nova também era alérgica. Mas Bárbara não esperava que ela reagisse também à soja, o que aconteceu pouco depois. “Fiquei muito abalada, foi mais difícil do que da primeira vez. Tive que ter acompanhamento psicológico”, conta.

 

APOIO VIRTUAL: Restrições alimentares acabam por se tornar restrições sociais. E o pouco conhecimento sobre o tema torna o processo ainda mais solitário. Um convite para comer uma pizza torna-se assunto delicado. Com isso, as redes sociais se tornaram aliadas, com grupos de mães em todo o país. A troca de experiências inspira mulheres a criar iniciativas pela causa. Quando Barbara se viu com duas filhas alérgicas, resolveu se dedicar mais a um hobby que sempre teve: cozinhar. O que começou com a vontade de não privar as filhas de alguns alimentos tornou-se um site com mais de 50 receitas, elderth.com.br/saborsemlimite, feito em parceria com a prima Daniele Rosestolato. Uma psicóloga e uma nutricionista compõem a equipe.

Alguns casos de distúrbios alimentares, porém, são ainda mais difíceis de se contornar. Há alergias e intolerâncias que podem ser curadas espontaneamente, e outras que duram a vida toda. A frutosemia, intolerância hereditária à frutose, é rara e exige uma dieta muito restrita, como a feita pelo neto de Magali Mendes Oscar, de Minas Gerais. Rafael, três anos e meio, não pode consumir frutas, verduras, legumes (com exceção da batata), sacarose e sorbitol. “Tivemos muita dificuldade no diagnóstico e ninguém imaginava que isso existia”, conta Magali. Após recorrer a profissionais de Belo Horizonte, ela notou que era necessário buscar alguém com mais experiência. Conseguiu uma vaga no Instituto de Genética e Erros Inatos do Metabolismo (IGEIM), da Unifesp, em São Paulo. Hoje, Rafael tem uma dieta restrita – se alimenta de pão francês, leite e derivados, arroz, feijão, batata e carne, mas o tratamento segue bem. Magali participa de um grupo no Facebook, onde troca receitas e experiências.

A alergia em si, porém, está longe de ser uma raridade. “Trata-se de uma ‘doença da vida moderna’, que se relaciona a mudanças nos hábitos alimentares e à urbanização. A diminuição do tempo de aleitamento materno, o alto número de cesarianas e a diminuição de infecções são exemplos de uma teoria que tenta justificar o aumento do número de casos”, explica a médica Renata.

 

 

Para saber mais

elderth.com.br/saborsemlimite – O site criado pela empregada da Caixa Bárbara Sousa de Oliveira traz informações importantes sobre alergia alimentar, achados divididos por estado e mais de 50 receitas testadas e separadas por categoria.

poenorotulo.com.br – Mães e pais de crianças alérgicas se reuniram na internet para defender a obrigatoriedade de informações claras nos rótulos de produtos industrializados. O site traz cartilhas educativas, notícias e informações importantes sobre o tema.

 

 

 

Alergia ou intolerância?

Apenas um especialista pode diagnosticar esses problemas. Mas ter uma pista do que acontece com o seu filho pode ajudar na decisão de procurar um médico.

Intolerância alimentar é uma reação adversa aos alimentos, mas que não envolve o sistema imunológico. Nos casos de intolerância à lactose, glicose, frutose ou glúten, por exemplo, há uma deficiência de enzimas que impossibilita a digestão correta desses nutrientes, o que causa sintomas como dores, inchaço do abdômen, náuseas e diarreia, entre outros.

Alergia alimentar é uma reação adversa aos alimentos envolvendo mecanismos imunológicos, a maior parte caracterizada por reações desencadeadas pelo contato entre a “substância estranha” e os anticorpos. Os sintomas podem aparecer na pele (urticária, inchaço, coceira, eczema), no sistema gastrintestinal (diarreia, dor abdominal, refluxo, vômito) e respiratório (rinoconjuntivite, tosse, rouquidão, chiado no peito), podendo, em alguns casos, haver o comprometimento de vários órgãos (reação anafilática).

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