COTIDIANO

Jogar a toalha ou ir à luta

9 de janeiro de 2016

Matriculou o filhote? Parabéns pela etapa superada! Neste texto da jornalista Liliane Camargo, abordamos a importância do convívio social da criança no ambiente escolar e como reconhecer sinais de que mudar de escola pode ser necessário.

Texto: Liliane Camargo

Foto: Babi Oliveira

Jogar a toalha ou ir à luta

Perceber se o filho está sendo incluído ou não no ambiente escolar é fundamental para o desenvolvimento da criança e para que ela cresça ciente de suas limitações, mas acima de tudo, de que essas mesmas limitações não a impedirão de conviver socialmente.

 

Para pais de crianças com restrições alimentares e necessidades especiais as preocupações vão muito além da lista de material e uniforme. A hora do lanche, das atividades em sala de aula, tudo é importante e precisa ser delicadamente avaliado para ter certeza de que seu filho está bem e incluído no ambiente escolar. E para isso, a sensibilidade e a participação ativa no dia a dia do aluno com algum tipo de limitação é preponderante e importantíssimo. Uma criança ciente de suas limitações e de suas possibilidades será um adulto confiante e seguro de si. Para a psicóloga e diretora da Clia Psicologia e Educação, Ana Paula Magosso Cavaggioni, “a escola é um ambiente importante não apenas para a educação da criança, mas também, para o desenvolvimento da socialização, da construção da identidade, da autoestima e da cidadania do indivíduo”. E destaca ainda que os pais precisam saber que a instituição de ensino, em que o filho está matriculado, deve atender todas as necessidades às quais ele precise. “A família pode e deve brigar por este cuidado com o filho”, ressalta.

 

Porém, a psicóloga lembra que estamos lidando com pessoas, e o mais importante, com crianças. “Caso os pais percebam que a escola não está trabalhando em parceria, que o filho está sendo humilhado, isolado, desprezado e têm condições de buscar uma escola que realmente trabalhe de forma inclusiva com as crianças, esta é a melhor alternativa”, enfatiza a profissional. Entretanto, nem sempre isso é possível. Neste caso, segundo Marcela Bracarense, de Belo Horizonte, que tem um filho com restrição alimentar e que foi diagnosticado há pouco com espectro autista, é muito complicado a família lidar com tudo isso sozinha. “É preciso que os pais se fortaleçam e busquem apoio junto a ONGs, Ministério Público, através das diversas promotorias, como a Defesa da Infância, Conselho Tutelar e defensoria pública. Gente que entende e conhece nossos direitos para ajudar”.

 

A hora de jogar a toalha

 

A decisão de mudar a criança de escola pode parecer fácil, mas não é. Independente da condição financeira dos pais, trocar o filho de escola envolve muito mais do o valor da mensalidade e ou a vaga na escola pública. E por isso, é importante que os pais percebam os sinais de que algo não vai bem. E, em notando que algo não está bem procure ajuda junto à direção da escola. Não conseguindo solucionar o problema, a saída é buscar outra escola e, em caso das instituições do Estado, quando a vaga em outro local não for disponibilizada, procurar ajuda juntos aos órgãos competentes. “A criança precisa sentir-se bem ao frequentar a escola, sentir-se parte dela, brincar, fazer amigos e realizar suas atividades como qualquer outra, independente de suas limitações”, completa a psicóloga Ana Paula.

 

Marcela conta que no caso de seu filho, o fato de o menino não evoluir pedagogicamente – ela é pedagoga de formação – e os choros constantes quando ia à escola sinalizaram de que algo não estava bem e de que era hora de mudar. “De que vale seu filho estar na mais bem conceituada escola da cidade, se ele não está feliz?”, questiona a mineira, que hoje, conta radiante cada nova evolução do filho, no final das contas ela avalia. “Foi uma experiência muito dolorida, intensa, mas valeu a pena”, finaliza.

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