COTIDIANO

Empunhando Bandeiras

6 de fevereiro de 2016

Você já ouviu falar na FPIES Brasil? E no Põe no Rótulo?

Sabe o que estes dois movimentos têm em comum? Foram iniciados por pessoas que, diante de situações dramáticas em suas vidas, resolveram chamar atenção para a questão e buscar uma solução que beneficiasse muita gente. Arregaçaram as mangas e empunharam bandeiras!

 

Texto: Liliane Camargo

Foto: freeimages.com

 

Empunhando bandeiras

Movimentos, campanhas e lutas por mudanças. Os motivos e o que faz com que algumas pessoas saiam à luta por um bem maior e coletivo são diversos. Porém, os resultados as fazem se destacar na multidão.

 

Na sociedade, algumas pessoas se destacam, não por serem mais inteligentes, mais bonitas, mais ricas ou humildes. Mas, por abraçarem causas e movimentos em benefícios da coletividade. Empunham bandeiras e fazem a diferença. Em geral, passam pelo mesmo problema que muitos, mas ao invés de irem procurar a solução só para o dele, se empoderam e vão à luta para conquistar resultados para todos os que vivem ou viveram perrengues iguais aos seus. Exemplos destes podem ser encontrados numa busca simples em qualquer site de pesquisas. Seja por segurança, por pesquisas, ou por mudanças em Leis e Normas Técnicas, eles se destacam por encabeçarem e se colocarem na linha de frente. Os motivos que as levam a encabeçar estes projetos são variados.

 

Para a psicóloga da Clia Psicologia e Educação, Ana Paula Magosso Cavaggioni, que também atual na Universidade Metodista de São Paulo, o que move estas pessoas está ligado a sua estrutura de personalidade e das experiências de vida. “Cada um possui mecanismos psíquicos que auxiliarão a lidar com as intercorrências que a vida nos coloca de forma particular. Sem dúvida, uma pessoa que vive uma situação adversa e engaja-se desta forma, tem mecanismos diferentes de outra que eventualmente, por exemplo, entrasse em processo depressivo”, explica. Ela destaca, porém que não existe uma postura melhor do que a outra. “Algumas pessoas engajam-se tanto em algumas causas, de forma tão intensa, por vezes obsessiva, que deixam de lado aspectos importantes da vida pessoal e familiar”. Ela encerra dizendo que “se a pessoa está insatisfeita com seu jeito de ser, de agir ou envolver-se com as situações, o melhor é iniciar um processo analítico, para conhecer melhor a si e aos recursos psíquicos que têm disponíveis, lidando com os entraves que eventualmente tenha para utilizar”. A seguir dois ótimos exemplos de movimentos iniciados por mães de portadores de restrições alimentares, que fizeram a diferença no ano de 2015.

 

FPIES Brasil

Para Monica Bellotto, que criou a FPIES Brasil, foi o trauma da perda. “Havia morrido há pouco tempo minha mãe e vi minha filha correndo o mesmo risco, por ter uma patologia ainda pouco conhecida”, conta. Para ela, essa foi a válvula propulsora que fez com que ela e o marido se dedicassem integralmente, com ajuda dos médicos, que cuidam até hoje da criança, em tornar a doença conhecida e reconhecida em nosso país. Eles desenvolveram material informativo, participaram de congressos internacionais e foram às linhas de frente para isso. Durante o ano de 2015, a FPIES-Brasil, ganhou voz através desta mãe, que criou folhetos para médicos e nutricionistas informando sobre a doença, até então pouco conhecida. Com a ajuda de várias outras mães pelo país, a entidade conseguiu que um número maior de casos fosse corretamente diagnosticado e, consequentemente tratado. Todo este trabalho tinha um objetivo que foi conquistado. “Lutamos para conseguir que a FPIES (Enterocolite Induzida por Proteína Alimentar) obtivesse uma CID – Classificação Internacional de Doenças – e obtivemos esta vitória. A partir de agora, nosso empenho é poder arrecadar e apoiar estudos sobre a patologia, que ainda é tão pouco conhecida no mundo todo”, revela Monica.

 

Põe no Rótulo

Outro exemplo que obteve, em 2015, uma enorme vitória é o Põe no Rótulo (PNR). Deflagrado por um grupo de mães de crianças com alergias alimentares, o movimento pedia que fosse obrigatório o destaque, nos rótulos, dos oito principais alérgenos – leite, trigo, soja, ovo, peixe, crustáceos, amendoim e oleaginosas -, incluindo informações sobre risco de contaminação cruzada (os traços). Após conseguir o apoio de artistas e personalidades queridas pelo grande público e ter destaque na mídia, a campanha ganhou força e, em junho do ano passado, a proposta de regulamentação foi aprovada por unanimidade pela Diretoria Colegiada da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O texto, publicado no Diário Oficial em 3 de julho, previu um prazo de adequação de 12 meses, que se encerra em julho de 2016. Para Cecília Cury, umas das coordenadoras do movimento, que é advogada e mãe de um menino com alergia alimentar, as mulheres que foram para a linha de frente da campanha não diferem das demais mães de alérgicos. “Creio que a empatia foi o que nos impulsionou e que nos move até hoje. As minhas dores, conquistas e minhas noites em claro por causa de alguma reação eram e são muito semelhantes às de outras que passam pelo mesmo que eu e as demais ‘mães do PNR’”, conta. Para ela, talvez o que tenha permitido a conquista do grupo seja o fato de que cada uma das várias mulheres envolvidas diretamente no PNR tenham usado suas habilidades profissionais na condução da campanha: “Cada uma já tinha uma característica marcante, um know-how que veio agregar”.

 

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