DICAS

Conheça a Adapte! Assessoria de turismo especializada em restrições alimentares

10 de dezembro de 2016

Quem convive com alguma restrição alimentar sabe das dificuldades enfrentadas no dia a dia. Viajar, então, torna-se um desafio ainda maior. Mas e se a gente te disser que agora existe uma empresa especializada em prestar assessoria a este público? Que maravilha, não?

A empresária Andreia Cartolari sempre gostou de viajar, e isso não mudou com a chegada dos seus filhos, Heitor e Henrico. Mas com a alergia alimentar dos meninos ela viu que a história ficou mais complicada. Ela resolveu, então, fazer do limão uma limonada, e criou a Adapte! Turismo, assessoria especializada em pessoas com deficiência e pessoas com restrições alimentares.

Ela contou a sua história e falou sobre a empresa  nessa entrevista inspiradora!

 

 

Como começou a sua história? Como foi o diagnóstico da alergia dos teus filhos?

Temos dois meninos: Heitor (o mais velho) está hoje com 4 anos e Henrico (mais novo) tem 2. Os dois tem alergia alimentar.
Após aleitamento materno exclusivo do Henrico, eu comecei a introduzir o leite de fórmula aos 6 meses e apareceram umas manchinhas vermelhas no rosto. Liguei para o pediatra, ele mandou suspender a fórmula e pediu exame de sangue. No exame já deu positivo para alergia a leite e a ovo. Fiquei completamente perdida… não sabia nada de nada.

A alergia a ovo dele é alta. Embora nunca tenha comido um ovo, a reação de contato é forte e me preocupa muito. Também tem alergia a proteína do leite de vaca. Detalhe: descobri a alergia do maior depois que descobri a do pequeno. Nunca me disseram nada nas incontáveis idas ao hospital e minha casa parecia uma extensão da farmácia.

Depois você liga os pontos e percebe todos os sinais que a criança dava e você não sabia. As reações do Heitor pegam muito o sistema respiratório, ele parecia estar sempre doente (peito chiando, catarro frequente) e uma vez ficou internado com bronquiolite, quando era bebê. Eu me culpava como mãe de não cuidar direito do meu filho, já que vivia doente. Além de dermatite atópica que estávamos tratando mas não se sabia o motivo de ter desenvolvido isso.

Comecei a fazer a dieta aos trancos e barrancos, completamente perdida neste novo mundo da alergia alimentar e sem um profissional que realmente me orientasse e guiasse… era ainda mais difícil porque o maior não fazia a dieta (até então eu não sabia da alergia dele) e ele colocava os alimentos na boca do meu pequeno. Nesse meio tempo, o pediatra tinha pedido exame de sangue para meu filho maior também. Quando olhou o resultado falou que tinha dado positivo para leite e que ele também deveria fazer dieta. Pensei: “Bom, se os dois vão fazer dieta, vai fazer todo mundo de casa”.

Fazer comida separada em casa não daria certo, não porque eu não quisesse o trabalho mas ainda era tudo muito novo e a gente tem medo de absolutamente tudo. Eu precisava de um lugar que eu soubesse que era seguro para os meus filhos e este lugar é a nossa casa. Nosso lar é nosso porto seguro. Ali eu me preocupo com as travessuras e caso se machuquem, mas com reação por conta de alérgenos não!

Assim, adentramos o mundo dos alérgicos alimentares.

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Henrico e Heitor, as inspirações de Andreia

Como surgiu a ideia da empresa de assessoria de turismo?

Bom, a gente adora viajar, né? Sempre cuidei de planejar nossas viagens porque amo fazer tudo: pesquisar locais, roteiros, onde comer, o que fazer, como fazer… Eu passo horas fazendo isso  sem nem perceber. Aí conheci a Melodia Moreno, coach de mães empreendedoras.

Quando estava de licença maternidade do Henrico, ela lançou a Academia de Mães Empreendedoras e uma luz acendeu dentro de mim. Tirava meu sono pensar em como faria para voltar ao trabalho e dar conta de cuidar da dieta deles, idas ao médico, escola e tudo mais. Não teria como viver faltando no trabalho constantemente por causa deles. Não podia mais trabalhar até tarde com frequência porque os dois eram muito pequenos.

Entrei no curso decidida a mudar o meu rumo profissional. Precisava de dias flexíveis para cuidar deles. Foi lá que surgiu a ideia de fazer assessoria de turismo voltado para um público que eu conheço (alérgicos alimentares e suas famílias), porque eu vivo as mesmas dores e assim poder ajudá-los. Saí do trabalho e comecei a empreender com a Adapte! Turismo.

 

De que forma a Adapte! atua no mercado?

A Adapte! Turismo ajuda famílias que querem viajar mas que encontram dificuldades, por conta de suas particularidades (alergia ou deficiência). Vira um fator limitante.
Todos querem ter momentos de lazer e descanso e famílias com algum alérgico ou pessoa com deficiência não são diferentes. Nós auxiliamos do planejamento à execução destas viagens.

 

Vocês então atuam em todas as etapas da viagem? Como fazer para garantir (no caso da restrição alimentar) que o hotel forneça refeições seguras? Este é um ponto crítico…

Sim, é a grande preocupação dos pais de alérgicos alimentares. Hoje é comum ter nutricionistas nos hotéis, por exemplo. Isso é útil pois facilita a conversa. Destinos como Disney são opções muito bacanas, porque existe uma atenção especial para quem faz dieta de exclusão. Em outros países (da Europa, por exemplo) você também tem mais facilidade. Mas é possível encontrar possibilidades no Brasil também.
Alguns cuidados são fundamentais, como o hotel deixar o frigobar vazio antes do check in para evitar acidentes. A criança ter uma identificação visível também ajuda muito. Meu marido fez uns adesivos para os meninos falando da alergia, eles usam na escola e quando viajamos.

E você pode ir a um hotel ou pousada que tem opção de chalé ou cozinha acoplada para preparar sua própria comida, além de levar alguns alimentos feitos congelados.

 

Uma vez fizemos uma viagem de carro de duas semanas, passando por várias cidades. Levei uma bolsa enorme de mantimentos e panelas elétricas. Comprava carne e legumes na própria cidade. Nos viramos super bem! Mas é uma super logística, né?

Sim, eu acho que é uma ótima opção para quem não tolera traços, tem alergia alta e sem contar o medo que a gente tem da criança reagir na viagem… Até porque você costuma ficar um bom tempo sem fazer muitas coisas. Viajar já é um grande passo, então precisa ser seguro. Sugiro começar por aí. Mesmo que você vá para um lugar próximo passar um fim de semana, já é um passo enorme.
Eu mesma preferiria perder algum tempo cozinhando mas saber que estão seguros e leve algumas coisas já prontas feitas na sua casa e congeladas. Uma outra dica também é se hospedar próximo de um supermercado pois ajuda demais.
Mas levar medicamentos que a criança usa, isso já faz parte da vida. Nunca se sabe quando vamos precisar. A criança pode não reagir porque comeu algo com o alérgeno, mas porque teve contato com alguém que comeu… melhor não arriscar.

 

O que você diria às pessoas que querem viajar mas ainda tem receio por conta da restrição alimentar?

Diria aos pais de crianças alérgicas que, primeiramente, eu os entendo. Eu conheço a dor de negar um alimento ao filho porque ele lhe faz mal, da exclusão em eventos sociais que a família passa a viver, de ser lançado num mundo completamente novo do dia para a noite e ter que “trocar o pneu do carro com ele em movimento”. Eu sei da dor de um coração despedaçado ao ver o seu filho com reação alérgica mesmo você sendo cuidadoso nos detalhes, da incompreensão das pessoas (muitas vezes até da própria família) falando sobre seu exagero ou loucura de algo que não existe. Eu sei porque vivi e vivo (talvez em grau diferente) as mesmas dores!

Também sei do medo de ficar fora de casa, seja para ir à casa de alguém, a um restaurante, a uma festa ou viajar. Por algum tempo apenas pensar sobre isso pode soar até mesmo como uma heresia. Mas acredite, aos poucos tudo passa! A nova realidade vai sendo incorporada ao nosso dia a dia e vai se transformando num hábito.
Lidar com o tema da alergia alimentar no dia a dia além das preocupações de qualquer família é bastante desgastante. Sabemos bem disso!

Você não precisa fazer sua primeira viagem ficando um mês fora de casa. Comece aos poucos. Pense em passar um final de semana num lugar mais próximo mas que seja agradável. Onde se pode ir de carro, levar utensílios para cozinhar no local ou levando comida congelada para as refeições. Há lugares onde é possível fazer isso. Leve sempre os medicamentos necessários para seu filho em caso de qualquer reação alérgica e aproveite para curtir a família neste pequeno momento de lazer e descanso. Com certeza vocês merecem e conte com a Adapte! Turismo para o que precisar!

 


 

Para saber mais

Visite a página da Adapte! Turismo – adapteturismo.com.br

Fanpage – https://www.facebook.com/adapteturismo/

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