NA MÍDIA

Anvisa determina que produtos contenham informações sobre ingredientes alergênicos

8 de julho de 2015

Foto: Guilherme Baffi/Diário da Região

 

Fomos notícia no jornal Diário da Região (versão impressa e online) no dia 08/07/2015, em matéria que abordou a determinação da ANVISA sobre regulamentação da rotulagem de alergênicos nos alimentos.

Confira abaixo a matéria na íntegra, e clique aqui para acesso à reportagem no site do Diário da Região:

Anvisa determina que produtos contenham informações sobre ingredientes alergênicos

Liza Mirella

A aprovação pela Anvisa da proposta de regulamentação da rotulagem de alergênicos é uma vitória para muitos pais Brasil a fora. A bancária Bárbara Souza de Oliveira, mãe de Júlia, 5 anos, e Luísa, 3, é uma das que comemoram uma mudança importante que passa a valer dentro de 12 meses: as embalagens de produtos alimentícios deverão destacar a presença dos principais alergênicos, inclusive o risco de traço, com tamanho e letras legíveis nos rótulos. O objetivo é aumentar a segurança alimentar dos brasileiros.

O que para muitos é tido como frescura, exagero, quem convive com alergia – especialmente em crianças – sabe da gravidade do problema, independentemente se a pessoa comeu só um pouquinho, por exemplo. Os casos mais graves podem, inclusive, levar à morte. Por conta disso que a resolução da Anvisa, publicada no Diário Oficial do último dia 3, foi considerada uma vitória para as famílias, a partir de um pleito da própria sociedade brasileira.

Bárbara convive com problemas relacionados à alergia alimentar desde que as filhas nasceram. Júlia tem alergia à proteína do leite de vaca (APLV) e Luísa tem alergia à proteína do leite de vaca e à soja. Nas primeiras semanas de vida da Júlia, que nasceu prematura, durante a amamentação exclusiva, começaram os episódios de vômitos e diarreias, com cólicas diárias e que duravam horas. “Em uma das muitas idas ao hospital, uma pediatra apontou a possibilidade de alergia ao leite de vaca”, conta Bárbara, que continuou tomando leite de vaca.

Depois de quase seis meses de amamentação exclusiva, era hora de introduzir a alimentação. Com frutas e legumes, a adaptação foi boa, mas, às vezes Julia passava tão mal que quase chegava à desidratação. Tudo piorou com a indicação de fórmula infantil à base de leite, o que intensificou os episódios de diarreia, cólicas e causou dermatite. “Aos nove meses, ela foi diagnosticada com alergia à proteína do leite de vaca e a orientação foi dar leite vegetal à base de soja, que ela consome desde então”, explica.

Bárbara conta que a segunda gravidez, da Luísa, trouxe a preocupação de mais uma criança com alergia alimentar. Como precaução, cortou o leite da própria dieta, com medo de que ela também tivesse alergia, já que as proteínas do leite passam para o leite materno. Quando a filha completou dois meses, Bárbara teve vontade de comer um biscoito de maisena. Uma pequena pontinha foi suficiente para afetar a filha. Horas depois, Luísa estava completamente tomada por catarro, com extrema dificuldade para respirar. “Dirigi com a Luísa no bebê-conforto em direção ao hospital, pedindo a Deus para que ela chegasse viva. Foi medicada e aspirada. Achei que fosse perder a minha filha”.

Estava constatada a alergia de Luísa ao leite de vaca. Depois do primeiro susto, mais dois episódios aconteceram, mas desta vez relacionados à ingestão de tofu, queijo vegetal à base de soja, bastante presente no cardápio da família. Foi outra surpresa: Luísa também foi diagnosticada com alergia à soja, tudo aos dois meses de vida. “Eu, que já estava craque em fazer as substituições do leite com a soja, tive que reaprender a cozinhar”, conta.

Dificuldades

Como já deu para perceber, são muitas as dificuldades para os alérgicos. A primeira coisa é que não se costuma pensar em comida sem leite, queijo, manteiga, ingredientes muito comuns nos hábitos alimentares. E se exige esforço pensar num cardápio feito em casa com produtos que não causem nenhuma reação, imagina quando se fala em comer fora. Por isso, a marmita costuma ser companheira de quem tem algum tipo de restrição alimentar. “As pessoas não costumam levar a alergia a sério, pensam que não tem problema dar só um pouquinho. Mas a alergia é algo que pode matar, então precisamos ter esse cuidado”, disse.

A dificuldade aumenta quando se trata de alimentos industrializados. Há leite e soja em alimentos e produtos que nem se imagina. O pior é quando o ingrediente está presente mas o rótulo não informa, justamente o pleito atendido pela Anvisa. Outro detalhe é a contaminação cruzada, ou seja, quando um alimento é produzido em um maquinário que fabrica outros alimentos que possuem os ingredientes alergênicos e, que mesmo higienizados, deixam traços.

Outro problema é o desconhecimento sobre determinados ingredientes e a forma como são identificados. O caseinato, por exemplo, significa leite, mas muita gente não sabe. Albumina indica a presença de ovos e lecitina quer dizer a presença de soja. “Fazer compras quando se tem alguém com alergia alimentar em casa não é algo simples, requer a leitura de muitos rótulos, conhecimento sobre os diversos nomes dos alergênicos, fora o risco dos traços. São horas no supermercado”, conta Bárbara.

 

leite paes e trigo

Restrições deram vida a projeto

Ao descobrir a alergia da filha Luísa à soja, a bancária Bárbara Souza de Oliveira teve de reaprender a cozinhar. É que até então todas as substituições eram feitas com soja. Foi desse processo de criação de receitas seguras e saborosas – para que as filhas pudessem comer o que tinham vontade e não fossem excluídas de eventos sociais – que nasceu um projeto que ajuda outras famílias nas mesmas condições, o site Sabor Sem Limite.

O espaço, criado em parceria com a prima Dani Oliveira reúne mais de cem receitas sem leite, sem glúten, sem ovo, sem soja e/ou vegetarianas. Traz também dicas de onde comer fora com segurança, de ingredientes ou truques que facilitam na criação de outros pratos, artigos de especialistas e depoimentos que auxiliam na compreensão das restrições alimentares, proporcionando ao público perceber que é possível comer com prazer mesmo com restrições.

“Os testes com ingredientes e combinações são um desafio constante. Não é simples fazer um pão sem glúten, por exemplo. É mesmo um jogo de tentativa e erro. Quantas e quantas vezes joguei toda a receita fora porque não ficou bom”, conta. E para disseminar as discussões sobre o assunto, um simpósio sobre alergias e intolerâncias alimentares, voltado para quem possui ou convive com pessoas com alergias alimentares, será promovido no dia 1º de agosto, às 15 horas, no salão nobre da Acirp, rua Silva Jardim, 3099. O evento terá a presença da nutricionista Renata Pinotti, parceira do projeto. Mais informações podem ser obtidas no site simposioriopreto.saborsemlimite.com.br.

Em Rio Preto, já há estabelecimentos focados nesse nicho de mercado, da alimentação com segurança para pessoas com restrição alimentar. Um deles é o Belly Gourmet – Espaço Glúten Free, onde é possível encontrar uma série de produtos sem lactose, ovo ou soja. Outro empreendimento do tipo é o Dani Gourmet, que também produz uma variedade de itens, incluindo pães e bolos.
Embalagens passam a ter informações claras
A partir deste mês, as indústrias terão um ano para modificar os rótulos de alimentos e bebidas, com a regulamentação pela Anvisa da rotulagem de alergênicos. O pleito nasceu da mobilização de um grupo de mães que enfrenta o problema da alergia dos filhos e que queria que as informações fossem claras, compreensíveis e legíveis. “Estamos muito felizes com essa mudança, com essa conquista. É uma vitória de uma demanda que veio da sociedade”, afirmou a advogada Cecilia Cury, uma das coordenadoras da campanha Põe no Rótulo.

A campanha #poenorotulo, criada na internet em 20 de fevereiro de 2014 por um grupo de mães de alérgicos alimentares, nasceu justamente com o intuito de abrir os olhos da população não-alérgica para a necessidade da rotulagem correta de ingredientes alergênicos, como leite, soja, ovo, trigo, peixe, crustáceos, amendoim, oleaginosas e milho. “Tivemos uma visibilidade muito boa. Mãe se solidariza com mãe. O Põe no Rótulo vem daí, da fome de informação”, afirmou Cecília.

De acordo com informações do movimento, no Brasil, cerca de 8% das crianças (aproximadamente 5 milhões) e 3% dos adultos têm este problema alimentar e vivem reféns de rótulos com pouca ou nenhuma informação. Estudos da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) mostraram que 39,5% reações alérgicas foram relacionadas a erros na leitura de rótulos dos produtos. “O objetivo da resolução é trazer segurança alimentar, saber que se pode confiar na informação que está no rótulo. É uma vitória”, conclui Bárbara.
PARA SABER

Lactose x proteína do leite

:: O termo lactose acabou banalizado ao entrar na moda das dietas sem lactose e muitas pessoas acabam usando, erroneamente, a expressão alergia a lactose

:: Lactose é o açúcar do leite e não causa alergia, e sim intolerância.

:: As proteínas do leite, como a caseína, entre outras, são as causadoras da alergia alimentar

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